Game é Arte?

A visão que a maior parte das pessoas tem a respeito de jogos eletrônicos é que são algo apenas para divertir. Logicamente, diversão é um dos pontos-chave, mas é possível questionar mais sobre os games e até compará-los com certos conceitos de arte contemporânea. Até que ponto chega a distinção entre alguns jogos e certas obras de arte?
God of War, o mais novo título da Sony, é um dos jogos de mais prestígio dos últimos tempos, porque, entre outras razões, recria os mitos de forma bastante realista. A arte é expressa no game não apenas visando à qualidade gráfica mas também a todos os elementos que remetem à época, tratada com fidelidade quase total.
A arte contemporânea possibilitou uma nova visão para o conceito arte. Um exemplo é Marcel Duchamp, um artista francês que, em 1917, quebrou paradigmas. Ele utilizou um mictório, intitulado de "A Fonte", que foi quase apresentado em uma galeria. Mas o mais intrigante foi a repercussão que a obra causou. A partir desse rompimento nos conceitos de arte e de seu questionamento, a arte contemporânea começou a ser mais bem compreendida.
A questão de romper conceitos preestabelecidos, criar reflexões e mostrar novos horizontes foi defendida nesse momento. O espaço mudou: saiu a tela de pintura e passaram a ser usados suportes nunca antes utilizados, como paredes, campos abertos, lagos, computadores e objetos portáteis. Enfim, todos os tipos de produto e ambiente.
O EyeToy nos games é um acessório que serve de exemplo para ilustrar a utilização do espaço. O fato de você não precisar de um controle para movimentar o personagem e poder se tornar ele próprio revolucionou a maneira de jogar.
O artista Jackson Pollock, em meados de 1960, criou a obra "Fools House" (casa de tolo). Ele praticamente pendurou o objeto na parede! Já "The Lightning Field" (campo de raios), de Walter De Maria, feita no Novo México, consistiu em alugar uma área enorme e vazia e instalar vários pára-raios. Nesses dois exemplos, o ambiente é o suporte da obra. Da mesma forma, os jogos utilizam outros suportes, como o EyeToy nos jogos Play, Sega Superstars e outros minijogos.
Mas há outros games que podem ser comparados. É o caso daqueles como Silent Hill e Final Fantasy, que criam uma atmosfera real na qual monstros, criaturas, espaços e situações que no mínimo acharíamos absurdas são apresentadas como algo possível. Ou seja, o jogador passa a se familiarizar com a idéia de que aquilo realmente existe, apesar de ser mera ilusão. Além disso, poder mudar o rumo da história de acordo com suas decisões e escolher entre várias alternativas até chegar ao game over é fantástico.
A criação do real, e não mais sua imitação, é a proposta de arte que pode ser entendida como o resultado da interação do jogador com o jogo e do homem com o meio ambiente segundo o escritor Alfonso Lopez Quintás, em Discurso em Defesa da Arte. Com base nisso, podemos observar os jogos eletrônicos e perceber esses fatores na maneira como os games funcionam.
Ainda há mais um exemplo muito interessante. O artista grego Miltos Manetas inspira-se em videogames para criar pinturas, vídeos e performances. Suas obras abrangem desde Mario Bros e Lara Croft até os próprios consoles.
A arte contemporânea é vista como a arte do "fazer", não mais a do "ver", pois o artista não imita mais uma visão, e sim a cria. É o resultado de uma ação, vista de diferentes maneiras por cada pessoa, mesmo que o autor não queira transmitir nenhuma interpretação.
Essas são apenas partes da definição de arte contemporânea. O assunto pode gerar diversas discussões, mas a partir dessas informações é possível ter uma visão mais ampla e tirar conclusões próprias. Alguns jogos podem, em alguns aspectos, ser considerados arte devido a se encaixarem nos parâmetros artísticos atuais.
Escrito por Viviane Lopes às 21h15
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